Em 1918, foi aprovado um novo código legal sobre a família. Era a legislação mais avançada da época. Aboliu a inferioridade legal das mulheres e as igualou juridicamente aos homens. Extinguiu a obrigatoriedade do casamento religioso, mantendo apenas seu registro para efeitos estatísticos. Também facilitou os registros de nascimento e morte.
Para efetivar o divórcio bastava o pedido de um dos cônjuges, sem necessidade de maiores motivações. Foi ampliada a garantia do pagamento de pensões alimentícias. Tudo isso visava livrar as mulheres da forte opressão e exploração machistas. Ao fazer isso, abriam possibilidades de maior liberdade sexual.
A grande líder revolucionária Alexandra Kollontai dizia que o ato sexual deveria ser considerado tão natural como saciar a fome ou a sede. Lênin manifestou ligeira discordância. É preciso matar a sede, disse ele, mas é muito diferente fazer isso bebendo de um copo ou lambendo uma poça, por exemplo.
É possível enxergar nessa observação o conservadorismo moral de Lênin. Mas também pode ser uma forma de lembrar que a sexualidade humana enfrenta preconceitos muito maiores que o simples ato de se alimentar.
Talvez, Lênin antecipasse as dificuldades que viriam. De fato, a família voltaria a ser célula reprodutora da opressão e exploração femininas nos anos 1930. Imposição da situação histórica, em que a revolução foi cercada e derrotada.
A vitória coube ao conservadorismo stalinista, que voltou a beber na mesma poça suja do conservadorismo burguês.