Particularmente a classe obreira, marchando sempre à frente do movimento popular, foi conquistando umha posiçom após outra ao inimigo de classe: o direito à greve, os direitos de opiniom e reuniom, et cétera, fôrom impostos polas luitas desses anos. A repressom e o terrorismo que o Estado vinha praticando também fôrom combatidas valerosamente pola resistência e a guerrilha. Perante o grande Capital e o seu governo, tinha-se apresentado umha situaçom realmente difícil que lhes impedia seguir controlando as massas para assegurarem a sua exploraçom. Tinham pois que "mudar" algo para que todo seguisse igual.
Porém, esta mudança devia ter em conta a nova realidade criada polo movimento democrátrico. De modo que nom tivérom mais remédio que legalizar todo o que foi conquistado polas massas; legalizá-lo com o fim de limitá-lo, controlá-lo e conduzi-lo por um caminho falso. Esta foi a primeira parte da operaçom. A segunda consistiu em reforçar o maltreito aparelho repressivo do Estado. Assim foi como renovárom os corpos repressivos, enquanto criavam outros novos e se elaborava todo um arsenal de leis e regulamentos especialmente repressivos da atividade sindical e política democrática. Ao mesmo tempo, a oligarquia procedeu a integrar no seu regime os felipistas e os carrilhistas e outros elementos da sua mesma calanha que, desde tempo atrás, vinham dando mostras avondo do seu servilismo. Com esta última medida, o Regime tomava um tinte de legalidade.
O resultado final desta operaçom foi recolhido na chamada "Constituiçom democrática" e nas leis que a desenvolvem e complementam. Mas, com todo isso, a oligarquia no poder nom conseguiu alargar a sua base social, e a sua última peça de troca. Os partidos social-reformistas que o servem e apoiam também fôrom queimados.
Todo isto pujo de manifesto a profundidade da crise do sistema imperialista espanhol, a necessidade de mudanças radicais, a perspetiva revolucionária e a verdadeira via para sair da crise, a única capaz de unir as massas, de darmos cabo da "bota opressora", criarmos um poder novo, independente, socialista e antipatriarcal.
Do fascismo e o monopolismo nom há marcha atrás à democracia parlamentar burguesa, só se pode ir para o socialismo. Esta é umha tese fundamental do marxismo-leninismo. Atendo-me a esta tese e à análise da situaçom geral da sociedade do Estado espanhol, nom nos encaminhamos para um sistema político de liberdades, e sim, ao invés, estamos inseridos em cheio num processo que só pode desembocar numha luita aberta pola independência, o socialismo e o antipatriarcado.
Atualmente, os grandes problemas das trabalhadoras e trabalhadores e do povo galego nom podem resolver-se com votaçons, com a conversa parlamentar e o boletim de voto. Na Galiza, há tempo que passou a etapa parlamentar, o parlamentarismo foi enterrado sob milhares de mortes e umha repressom brutal durante 40 anos; por isso, hoje em dia, o que se impom com força esmagadora nom som os métodos parlamentares e pacíficos de luita, os quais, nas atuais circunstáncias, só podem ajudar ao imperialismo a sair da sua grave crise, ao tempo que confundem, dividem e distraem a classe obreira e ao povo galego dos seus verdadeiros objetivos.
Hoje em dia, o que se deve fazer é isolar ao máximo o imperialismo espanhol e as suas instituiçons, a fim de concentrar contra ele todas as forças revolucionárias. Proponho a boicotagem ao Regime, às suas instituiçons e leis profundamente reacionárias, aos partidos servis e lacaios, às farsas eleitorais, et cétera. Ao mesmo tempo que proponho o isolamento do imperialismo e do seu sistema, sou partidário de fomentar e estender a todas as partes as experiências e métodos revolucionários de luitas, para criar assim as condiçons para a unidade popular e o desenvolvimento impetuoso do movimento político de resistência.
Só a combinaçom da luita de massas com a guerrilha popular pode criar as condiçons necessárias para o desenvolvimento de um potente movimento político organizado, que realmente faga frente ao imperialismo e aos seus sequazes.
A luita de massas e a guerrilha patriótica som partes complementares de um mesmo movimento com um mesmo objetivo. A luita de massas nutre e empresta apoio à guerrilha, enquanto esta torna o caminho mais chao e estimula o movimento de massas na sua luita contra a opressom imperialista e contra a exploraçom capitalista.
Cárcere de Topas (Salamanca)
15 de janeiro de 2012
* Por problemas na comunicaçom com interior da prisom onde se encontra Telmo Varela e de onde envia os seus textos, o que agora publicamos e o anterior chegárom mais tarde que dous previamente publicados nesta mesma coluna e que deveriam ser posteriores, daí que este figure com a referência "Parte II". (Nota do DL)