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Contra-ataque

Síria, nas barricadas da luta anti-imperialista

Bruno Carvalho - Publicado: Sexta, 02 Dezembro 2011 01:03

Bruno Carvalho

Manobras do imperialismo no Irão


Têm-se verificado, nos últimos dias, semanas e, em alguns casos, meses, manobras militares e diplomáticas que não têm eco nos despachos das principais agências noticiosas. Para lá das capas dos jornais, o imperialismo está a preparar-se para elevar a guerra a um nível superior. Por todo o mundo, surgem informações preocupantes de que está em marcha uma agressão contra o Irão e contra a Síria.

Há mais de uma semana, o Hezbollah destruiu parcialmente a rede da CIA que operava no Líbano. Poucos dias depois, o Irão, um dos principais aliados daquela organização libanesa, capturou 12 agentes da CIA. A situação é tão explosiva que centenas de estudantes iranianos invadiram a embaixada britânica e retiveram funcionários durante algumas horas.

Os governos dos Estados Unidos, União Europeia e Israel mostraram-se indignados. Vários países expulsaram embaixadores iranianos. A comunicação social repetiu uma e outra vez as imagens da destruição da representação diplomática da Grã-Bretanha. Mas a velocidade com que se denunciou o facto contrasta com o silêncio sobre os sucessivos ataques e assassinatos de figuras militares e cientistas iranianos por parte de espiões ocidentais e israelitas.

Fazer da Síria uma nova Líbia

A violência crescente das posições políticas dos Estados Unidos, da União Europeia e de Israel contra o Irão e a Síria tem sido, naturalmente, acompanhada pela agressividade dos media. Não se fala no ataque, levado a cabo há duas semanas, atribuído à Mossad, que destruiu uma base militar iraniana e levou à morte de 17 soldados, incluindo o General Hassan Moghaddam. Mas fala-se muito sobre os milhares de mortos que o regime sírio terá provocado.

Esta é, aliás, a repetição, em parte, da estratégia utilizada na Líbia. Contudo, a realidade síria contrasta com o regime líbio. Não só há um maior apoio popular a um Estado que mantém características progressistas e conserva um profundo carácter anti-imperialista mas também há uma unidade nacional que no caso líbio foi destroçada pela realidade tribal.

Mas os confrontos diários que se dão em solo sírio estão envoltos numa espécie de nevoeiro mediático. Sabe-se que há agentes da CIA, do MI6 e da Mossad em território sírio. Fala-se no apoio financeiro, logístico e militar do imperialismo a grupos desestabilizadores no interior daquele país. Grupos que há meses têm vindo a ser treinados por forças francesas na Turquia. Mas nada disto se consegue saber através da Reuters, da France Press ou da AP.

As várias peças do xadrez sírio

A Turquia é, aliás, uma peça-chave num possível conflito com a Síria. Por motivos históricos, os dois países estiveram quase sempre de costas voltadas. Para além das disputas territoriais, durante algum tempo, Damasco apoiou o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK). Também foi para a Síria que centenas de milhares de arménios, perseguidos pelos turcos, fugiram. Para além das sanções e do crescente cerco económico promovido por vários Estados e instituições internacionais contra a Síria, há dias, Ancara anunciava as suas próprias sanções depois de dispor tropas ao longo da fronteira.

A Síria tem sido, desde há muito, um ponto de refúgio para muitos dos que são perseguidos pela violência da opressão. A solidariedade do povo sírio com o povo palestiniano é, por exemplo, histórica. A Síria é o país onde os palestinianos se sentem mais integrados e onde têm melhores condições de vida.

Mas a Síria tem também relações históricas, por diferentes motivos, com o Líbano e o Irão. Um ataque do imperialismo contra a Síria receberia, certamente, a resposta de Beirute e de Teerão. Provavelmente, provocaria uma guerra civil entre as várias sensibilidades religiosas, culturais e políticas libanesas. Teria o apoio dos grupos armados palestinianos. E não se descarta que, num cenário deste tipo, o PKK incremente as suas acções contra a Turquia.

A Síria não é a Líbia e a Rússia já deixou claro que não vai apoiar qualquer tipo de ambição militar por parte dos Estados Unidos, União Europeia e Israel, seja individualmente, seja enquanto NATO ou ONU. Há poucos dias, Moscovo ordenou a saída de vários vasos de guerra para a costa síria e mostrou que a sua posição não é retórica. Assim, o porta-aviões da NATO não estará sozinho. Também a China, a par da Rússia, travou as intenções de vários países no Conselho de Segurança da ONU.

Para além da Rússia e da China, até ao momento, a Síria tem a amizade de países como Cuba e a Venezuela. Fidel Castro e o presidente Hugo Chávez são, a seguir ao chefe de Estado sírio e ao líder do Hezbollah, das figuras mais acarinhadas pela população. Que não tem só a ver com as posições anti-imperialistas e pró-palestinianas mas com a presença de fortes comunidades sírias e libanesas nestes países.

Saber de que lado estar

O que o imperialismo tenta fazer, através do recurso à espionagem, ao treino e financiamento de grupos desestabilizadores, é provocar uma guerra civil que abra o caminho à sua intervenção. Ao contrário do que aconteceu no caso líbio, é quase certo que uma agressão à Síria acabaria por envolver o Irão, o Líbano, a Turquia e Israel. Uma agressão ao Irão teria uma resposta brutal com consequências imprevisíveis. Teerão já avisou que tem 150.000 misseis preparados para responder aos misseis Jericó de longo alcance que Israel colocou estes dias à volta de Jerusalém.

Perante uma profunda crise do sistema capitalista, a resposta parece não ser muito diferente da que as grandes potências imperialistas deram em diversos momentos da História. Porque o capitalismo é guerra e de guerra se alimenta, apresentam-se à humanidade desafios aos quais terá de saber responder. Sem tibieza, sem posicionamentos dúbios, há que saber de que lado da barricada estar.


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