Os estados ricos ganham muito mais ao consumirem café, açúcar, cacau ou ao comprarem ouro, diamantes e petróleo do que os estados pobres ao produzirem-nos.
Neste mundo louco, os governos dos pobres dam aos ricos os recursos naturais sob a escusa maluca de "falta de recursos".
O torvelinho rapace que inverteu a lógica do planeta vem acontecendo desde que os europeus se autoplocamárom "descobridores" da América no século XV.
A Galiza, escancarada ao império ao igual que a América Latina, foi desde o século XV despossuída das suas matérias-primas culturais, as mais férteis da Península Ibérica.
Empobrecida lingüisticamente e enforcada polo mesmo reino que esmagava civilizaçons ameríndias, escravizava africanos e rapinava o "novo" continente.
Hoje, Portugal e o Brasil usam a língua dos galegos como umha jazida de ouro. Alemáns, norte-americanos, argentinos, ingleses, mexicanos, indianos, colombianos, canadianos, espanhóis, franceses ou cubanos vam a Portugal e ao Brasil atraídos pola língua galega, a língua mais falada do hemisfério sul.
Na Galiza, porém, como aconteceu com os minérios da América Latina ou com as pedras preciosas africanas, desprezamos as nossas minas e deixamos que outros gozem delas.
Dam-nos espelhinhos e bugigangas em troca do cofre que guarda o mais prezado tesouro do povo galego, a nossa identidade.
O milionário mais famoso da história, o estadunidense Rockefeller, tirava mais da metade dos seus ganhos do petróleo venezuelano.
Recentemente, o povo da Venezuela, cheio de dignidade e orgulho, decidiu valorizar o seu petróleo e agiu para que fossem os venezuelanos e venezuelanas os que desfrutassem dele. E nacionalizou-no.
Como na Venezuela, é hora de que na Galiza desfrutemos do nosso petróleo. Nacionalizemos a nossa língua!