As revelações feitas por Rogério Carvalho da Silva ilustram o que parece ter sido uma colaboração do governo de Cavaco Silva com o terrorismo de Estado dos GAL, patrocinado por Felipe González. Mas também desvela um pouco o papel das FP-25 no história política do nosso país.
Depois de ser preso como membro daquela organização, Rogério Carvalho da Silva é contratado para segurança da Embaixada dos Estados Unidos, em Lisboa. Anos depois, um colaborador dos serviços secretos portugueses recruta-o para matar independentistas bascos. No meio de tudo isto, está preso em Lisboa por tráfico de droga.
É o próprio que diz que "foi acusado da morte de etarras em França num processo que também envolveu 'o comandante e o vice-comandante dos serviços secretos militares, o então chefe de Estado-Maior das Forças Armadas, general Lemos Ferreira, e o primeiro-ministro nessa altura, Aníbal Cavaco Silva'".
Estas acusações são graves não só porque se referem à actual primeira figura do Estado português. São graves porque, certamente, tiveram a colaboração de várias figuras do espectro político e da economia. Os GAL foram esquadrões da morte montados pelo governo espanhol de Felipe González que feriram e mataram mais de 60 pessoas.