O nome de Manuel Marulanda, um sindicalista e dirigente comunista assassinado em 1951, foi o adoptado por Pedro Antonio Marín, fundador e líder das FARC-EP, e foi com esse epíteto que ficou conhecido em todo o mundo. Um ano depois da sua morte, em 2009, o Movimento Continental Bolivariano designou o dia 26 de Março como o Dia do Direito Universal dos Povos à Insurreição Armada.
Naturalmente, com a campanha anti-terrorista, houve e há quem questione o direito dos povos a insurgirem-se contra a opressão. Contudo, Portugal é um dos vários países que no mundo já prevêem esse direito na sua constituição. A terceira alínea do 7º artigo dos Princípios Fundamentais da Constituição da República Portuguesa "reconhece o direito dos povos à autodeterminação e independência e ao desenvolvimento, bem como o direito à insurreição contra todas as formas de opressão".
Nos últimos tempos, com a revolta a alastrar-se por todo o Norte de África e Médio Oriente, os meios de comunicação social não conseguiram apagar ou deslegitimar a justa luta desses povos. Embora manipulando, na maioria dos casos, ficou evidente que os trabalhadores e populações têm o direito a decidir o seu próprio futuro, usando a força, se necessário, e sem ingerências externas.
Normalmente, os mais pacifistas são aqueles que se amparam na suposta neutralidade de instituições como a ONU. Não é por acaso que o imperialismo tem procurado legitimar as suas acções com o aval de organizações internacionais. A reboque seguem os pacifistas que comem tudo o que diga "intervenção humanitária", "guerra preventiva", "bombardeamentos cirúrgicos", etc.
Geralmente, os mesmos que dão o aval à violência dos Estados e das oligarquias rejeitam peremptoriamente a auto-defesa ou a revolução violentas dos povos. A não ser, claro está, que tais acções assumam proporções de tal forma populares que não possam ser sequer ignoradas pelo imperialismo. Aconteceu com a Tunísia, com o Egipto, com o Bahrein e com o Iémen.
Noutros casos, como na Colômbia, a resistência violenta do povo é condenada e a propaganda de desacreditação das várias organizações guerrilheiras é acompanhada e propagada militantemente por muitos pacifistas ingénuos, entre os quais, activistas que se afirmam de esquerda.
Muitos acreditam que os Estados capitalistas são democráticos quando assumem as mesmas características que os Estados-membro da União Europeia. Da mesma forma que reduzem a democracia a eleições e ao mercado "livre", reduzem a aparente paz social à inexistência de violência. É sobretudo nesses contextos que algumas esquerdas abraçam o pacifismo e rechaçam toda e qualquer violência.
Esquecem ou fingem esquecer que a ausência de violência estatal é não só fictícia como vigilante. Todos sabemos quem detém o monopólio dos aparelhos repressivos e militares. E todos deveríamos saber para que serviram historicamente os Estados. Amparada na violência, a minoria que domina economicamente e politicamente está preparada para esmagar qualquer tipo de revolta por parte dos povos.
Infelizmente, os outros povos conhecem melhor a realidade da violência dos nossos Estados do que nós próprios. Os povos do Iraque, do Afeganistão, da Líbia, do Líbano, da Palestina, do Haiti, da Jugoslávia sabem bem quão hipócritas são as mensagens de paz dos nossos governos.
Mas é importante que se perceba que qualquer acto de resistência, se amparado e protagonizado pelos trabalhadores, é legítimo. Desde a denúncia através da distribuição de panfletos, da pintura de murais, da greve e manifestação, à tomada do poder pelas armas. A resistência, violenta ou não, é-nos imposta pelo capitalismo e pelo imperialismo. Na maioria das vezes, só a violência desata aquilo que foi imposto pela violência.
O culto da violência que certos grupos defendem nada tem a ver com resistência e, em certos casos, serve os interesses do imperialismo. Disso sabem os Estados e a NATO que espalharam a violência pela Europa através da Operação Gládio, criando organizações bombistas de extrema-direita e infiltrando-se em organizações de esquerda.
As acções violentas de resistência exigem sempre o sacrifício de valorosos homens e mulheres que dão o melhor das suas vidas em prol de um futuro melhor. Da revolução francesa à Comuna de Paris, da revolução de Outubro à revolução cubana e às guerras de libertação nacional, da revolução do 5 de Outubro à revolução de Abril, todas abriram portas para o futuro.