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64lei secalei secaBrasil - Laboratório Filosófico [Rafael Silva] - .

Saideira é o nome dado à última bebida que se pretende tomar antes de se deixar um bar. Porém, quem já viveu uma boa mesa de boteco com amigos sabe muito bem que a saideira pode ser várias. Daí a necessidade de uma metafisica a seu respeito, pois se a saideira, fisicamente, em nada difere da bebida que a antecede, nem sequer precisa ser a última, algo além dela mesma, ou seja, algo metafísico, a define e qualifica.

Mesmo que a saideira, em seu sentido estrito, seja uma só e a última bebida antes de se deixar o bar teríamos a seguinte questão: ela é aantecipação do fim da bebedeira ou, ao contrário, o seu adiamento? O fato de ser várias em nada facilita a resposta, pois, digamos, três saideiras ao mesmo tempo que são a antecipação da antecipação da antecipação do fim, podem ser também o seu triplo protelamento.

Considerando a primeira opção, isto é, que a saideira é a antecipação do fim, temos que quem está bebendo não gostaria de parar de beber, mas já sabe que deveria fazê-lo. E para que esse fim esteja definitivamente no horizonte, mais uma(s). Já a segunda opção, qual seja, a saideira enquanto adiamento do fim, temos que quem está bebendo também tem ideia de que deveria parar de beber, só não sabe ou não importa quando. E enquanto isso, mais uma(s).

Em ambos os casos a saideira se relaciona com o fim da bebedeira. É esse fim, aliás, que metafisicamente faz com que a mesma bebida passe a ser outra coisa que não o que vinha sendo até então. Os experts em saideiras sabem muito bem que a saideira, embora fisicamente a mesma bebida, tem um gosto só seu. E esse gosto especial é justamente o sabor de transgredir a ideia que mais hora menos hora ocorre a quem está bebendo, qual seja: que deve parar.

A saideira, portanto, tem o gosto do excesso. Não o excesso cometido pelo alcoolista, pois esse sabe de antemão que, se depender dele, não terá fim a sua bebedeira. Chamar as doses que bebe de saideiras é apenas a desculpa do alcoolista para não parar de beber. Sem dizer que para ele todas as doses têm um e mesmo gosto.

Para concluir essa pequena metafísica é preciso ressaltar que a saideira não diz respeito somente ao excesso de bebida, isto é, às doses a mais além daquela que deveria ser a última. A saideira se relaciona sobretudo com prazer de cometer deliberadamente um excesso etílico sem, contudo, esse ato excessivo ser fruto de uma patologia, como no caso do alcoolista.

A saideira, portanto, é muito mais o amor ao beber do que à bebida. E é esse amor que, metafisicamente, converte qualquer bebida em saideira. Até mesmo Cristo, que por amor às pessoas que se divertiam em um casamento que estava prestes a ser encerrado porque o vinho estava acabando, fez seu primeiro milagre: transformou água em vinho. Oxalá a nossa mundanidade pudesse ser milagrosa assim! Caídos no mundo, entretanto, podemos pelo menos pedir ao garçom mais uma(s) saideira(s).

 

Foto:Marcos Santos/USP Imagens

Brasil - Mães de Maio - Da webpágina das Mães de Maio no Facebook

Nós respeitamos demais o guerreiro Mano Brown Racionais, entendemos a intenção de chamar a população periférica na responsa para os perigosos rumos do país daqui em diante...

Mas dizer que a Periferia "virou as costas" para Dilma Rousseff, em nossa opinião, definitivamente não procede. Aliás, muito ao contrário: a Periferia sempre foi O fator decisivo em todas as últimas eleições doPartido dos Trabalhadores, em todos os níveis: federal, estaduais e municipais. E, novamente, é a articulação Periferias Contra o Golpe - para muito além das redes governistas ou petistas estritas - quem está fazendo a diferença qualitativa na resistência real frente o novo golpe institucional em curso, golpe este contra todos os trabalhadores e trabalhadoras.

Agora, isso não significa que nós iremos esquecer que foi a cúpula do mesmo PT, a presidenta Dilma Vana Rousseff e o próprio ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva que optaram por fechar com as altas elites do país, em detrimento de mudanças estruturais e profundas para os trabalhadores e trabalhadoras, para o povo negro, indígena e periférico - que construímos o Partido deles e os elegemos nas últimas 4 eleições federais.

Foi a cúpula do Campo Majoritário do PT, com Lula à frente, que após cada nova eleição ou momento de perigo optaram por fechar com Michel Temer, Eduardo Cunha, Roberto Marinho, Henrique Meirelles, Antônio Delfim Netto, José Sarney, Fernando Collor, Paulo Maluf, Gilberto Kassab, Bispo Edir Macedo e companhia, justamente aqueles que agora estão descartando Dilma, Lula e o PT, para aprofundarem ainda mais o seu projeto conservador à frente do Estado Brasileiro. Quantos Ministérios foi entregue pra Periferia comandar, nos Governos Lula e Dilma?! Comparem com o número de pastas entregues para notórios Incendiadores de Favelas, como o Sr. Kassab? Agora veja quem realmente foram os primeiros a "virar as costas" para Dilma... "Veja quem morre, agora veja você quem mata"...

Perto do que lucraram Banqueiros e Grandes Empresários brasileiros (e transnacionais), a Periferia colheu migalhas nesses 13 anos de Governos Lula e Dilma. As elites concederam, ao longo dos governos petistas, apenas que nós trabalhadores e trabalhadoras saíssemos da miséria total, nos alimentássemos um pouco melhor e recebêssemos melhor formação técnica, única e exclusivamente para aumentarmos a nossa produtividade no trampo - para sermos ainda mais explorados por elle$, garantindo a elle$ lucros muito maiores. Basta ver os lucros bilionários do Itaú, Bradesco e cia, em comparação com os nossos apertos financeiros de todos os dias. Basta pensar no perdão bilionário da dívida da Rede Globo, sim esta mesma que comanda o golpe institucional em curso, em comparação ao sem-perdão que os bancos - inclusive os ditos "bancos públicos" - tratam o nosso povo inadimplente, no cheque especial, ou como este governo "democrático popular" tratou as humildes Rádios Comunitárias nesses anos todos. Sem dó nem perdão.

Esses mínimos avanços alcançados ao longo dos governos petistas, que foram realmente históricos para quem nunca havia recebido qualquer política pública que visasse o mínimo de distribuição de renda e condição digna de sobrevivência, foram porém muitíssimo AQUÉM daquilo que as gerações de trabalhadores e trabalhadoras esperávamos - e merecíamos! - destes governos conquistados às custas de muito sangue e suor do nosso povo.

E, mesmo assim, as poucas políticas de distribuição de renda e acesso ao mínimo de direitos, implantadas pelos governos petistas, continuaram sendo acompanhadas por inúmeras políticas autoritárias e repressivas contra a população negra, indígena e moradora das Periferias - para assegurar a execução dos megaprojetos de Construtoras, Empreiteiras e outras grandes empresas financiadoras deste projeto de poder: o Genocídio de nosso povo apenas se intensificou durante os governos petistas, não somente através de governos estaduais notoriamente autoritários como o do fascista Geraldo Alckmin do PSDB em SP (mas tb os governos de muitos aliados do PT, como os de Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão no RJ, ou os de Jacques Wagner e Rui Costa na Bahia), ao mesmo tempo em que inúmeras gestões federais tb foram absolutamente conservadoras e reacionárias, como a do Sr. José Eduardo Cardozo à frente do Ministério da Justiça - despejando rios de dinheiro nas polícias e nas prisões estaduais.

Aí: Não serão essas últimas tristes - e perigosas - semanas vividas pelo país que farão apagar de nossa memória os últimos 13 anos de vacas tossindo e viradas às costas para o nosso povo, o mesmo povo periférico que sempre decidia inclusive a favor do PT - mas sobretudo contra a direita neoliberal. Não é à toa que, justamente nos períodos eleitorais ou em momentos de perigo como os de agora - e somente em momentos assim - os marqueteiros petistas gostam tanto de utilizar a imagem da Periferia, dos Racionais MC's e de tantos guerreiros e guerreiras mais. Infelizmente, para no dia seguinte, ato contínuo à passagem do sufoco da vez, entregar o essencial de seus governos para o PMDB Nacional e todos os demais notórios picaretas, os mesmos que votaram amplamente pelo golpimpeachment de Dilma, os nossos algozes de sempre.

O resultado é que os governos petistas, agora sim, entregarão de uma vez por todas o Estado Brasileiro às mãos das velhas raposas golpistas - que eles mesmos criaram, fortaleceram e trataram a pão de ló - com um Ajuste Fiscal Neoliberal já preparado pelo próprio atual governo - lembram-se de Joaquim Levy? Sim, infelizmente tem sido a volta dos que nunca foram, porque até ontem mesmo esta corja - Temer, Cunha, Kassab et caterva - eram os aliados prioritários dos Governos Lula e Dilma. Um governo que, ao mesmo tempo, sequer recebia para uma conversa protocolar as mães de vítimas do genocídio policial. Um país que conviveu, na mais tranquila "legalidade e ordem democrática", há mais de uma década, com índices escandalosos de mais de 60.000 assassinatos por ano - na maioria jovens negros; mais de 750.000 pessoas encarceradas hoje no país - sobretudo jovens negros primários; e um sem-número de violações de Direitos Humanos fundamentais, cotidianamente, contra o nosso povo negro, indígena, pobre e periférico.

Por fim, agorinha há pouco, para coroar a patifaria toda, uma inacreditável "Lei Anti-Terrorismo" proposta e sancionada pela "ex-terrorista" Dilma Vana Rousseff no último dia 16 de Março de 2016, quando já era mais do que escancarado todo o plano de golpe institucional levado à frente contra ela, o PT e os Trabalhadores, inclusive por Juízes de 1ª Instância, que agora têm um instrumento a mais, sofisticadíssimo, para sobre-criminalizar, deter e encarcerar por anos a fio quem ousar resistir realmente pela Democracia e por todos os Direitos sobre-ameaçados dos Trabalhadores e Trabalhadoras.

Quem virou as costas e, até hoje, sequer receberam as Mães ou manifestaram singelos pêsames, sentimentos e solidariedade para as vítimas das Chacinas de Osasco, Barueri, de Acari, de Fortaleza, do Rosana e de tantas cotidianas contra o nosso povo, foi o Governo Dilma. Infelizmente.

A Periferia, como o Brown bem sabe, não está de chapéu atolado nesse processo todo aí, nunca dormiu, e seguirá acompanhando bem atenta os próximos e novos golpes que estão sendo tramados, na calada ou à luz deste patético Congresso Nacional..

Nós seguiremos resistindo nas Ruas, da onde nunca saímos, do povo, para o povo e pelo povo: juntão com quem nunca nos virou às costas, e para quem nós também damos a nossa Palavra que nunca iremos virar, firmeza?!

‪#‎4P‬ ‪#‎NóixPorNóix‬ ‪#‎ContraOGenocídio‬ ‪#‎APeriferiaNuncaDormiu‬

Mães de Maio.

Disponível em: <https://www.facebook.com/maes.demaio/posts/776191259183243?fref=nf&pnref=story>.

 

 

Guilherme Boulos, coordenador nacional do MTST. Foto de Jeso Carneiro (CC BY-NC 2.0)

Brasil - -  

   Brasil - Diário Liberdade - [Bruno Rodrigues]

 

Nós, marxistas, consideramos Brüning, Hitler e Braun como os diversos elementos do mesmo sistema. A pergunta “Qual deles é o mal menor?” não tem qualquer sentido, porque o sistema que combatemos tem a necessidade de todos esses elementos. Mas esses elementos acham-se agora em conflito, e o partido do proletariado deve utilizar esse conflito no interesse da revolução. Uma escala compreende sete notas. A pergunta “Qual dessas notas é a 'melhor': dó, ré ou sol?” é uma pergunta desprovida de sentido. O músico, porém, deve saber quando e em que tecla bater. (...) Claro que é doloroso ter que explicar este abêcê. Mas é triste, muito triste, quando músicos (...), em lugar de distinguir as notas, batem no teclado com as pastas.

Trotsky, Revolução e contrarrevolução na Alemanha

 

 

 

 

 

 

A declaração [1] do coordenador nacional do MTST, Guilherme Boulos, de que caso o golpe reacionário institucional da oposição burguesa venha a se consumar estaria disposto a incendiar o país inteiro com greves e ocupações de resistência, foi o mais importante chamado de um dirigente político do movimento de massas brasileiro contra os golpistas. Nenhuma outra organização de importância nacional se dispôs, até então, a assumir qualquer chamado à mobilização generalizada contra o golpe. As corajosas palavras de Boulos merecem ser levadas em consideração e com toda seriedade, por cada ativista social desse país. Se alguém guarda alguma ilusão de que podemos confiar nas manobras jurídicas e nos conchavos espúrios do próprio PT, e em troca abrir mão de instigar a ação direta e independente da classe trabalhadora, o golpe reacionário institucional passará e, certamente, não será só o governo Dilma e seu partido que serão penalizados. Na verdade, o que está em questão é a tentativa, por parte dos setores opositores, de impor um grande salto para trás, aprofundando a pilhagem e o desmonte dos direitos trabalhistas, da seguridade social, dos serviços públicos e do direito de organização sindical.

A sanha dos golpistas, que se movimentaram muito rapidamente com o propósito de satanizar a declaração de Boulos, ganhou contornos bem mais sérios, quando deputados federais do DEM e PSDB encaminharam à Procuradoria da República um pedido de prisão contra o líder do MTST, reacendendo com toda força a criminalização dos movimentos sociais, que tem tudo para dar um verdadeiro salto de qualidade em razão da lei antiterror recém-aprovada, diga-se de passagem, pelo próprio governo Dilma, num gesto de quem é capaz da generosidade suicida de afiar o machado do próprio carrasco.

Essa peçonhenta provocação jurídico/policial contra Boulos e o MTST, esconde na verdade uma provocação contra todo o movimento social organizado e precisa ser respondida à altura, com uma ampla campanha de solidariedade nacional, custe o que custar. Admitir, sem luta, esse insolente pedido de prisão contra Boulos é o mesmo que admitir que, logo em seguida, o tacão da repressão se bata com redobrada violência contra a vanguarda das mobilizações, contra os que fazem greves e contra os que ocupam escolas e fábricas. É inadmissível que a figura de Boulos e o MTST sejam atacados, sem que haja, em contrapartida, o devido revide unitário da esquerda socialista brasileira.

Sobretudo, é ainda mais grave deixar que a declaração do MTST, que convoca à resistência generalizada contra a ofensiva conspirativa, simplesmente ecoe no vazio. É inacreditável que a essa altura do campeonato, ainda existam revolucionários recalcitrantes, que recusam que há um golpe institucional em curso, aliás, sugerindo argumentos dos mais genéricos como o de que “não há tanques desfilando nas ruas, nem movimentos de quartel”. Para quem não conhece a história de revoluções e contrarrevoluções no nosso continente, Honduras e Paraguai são exemplos vivos de que os tão desejados tanques podem ser eventualmente dispensáveis. Aliás, mesmo que se tratasse de um golpe diretamente executado pelas forças armadas, com direito a manobras militares nos centros de poder mais decisivos, como foi em 64, teríamos que primeiro comprovar com os nossos próprios olhos, as ruas tomadas por tanques e os quartéis se insurgindo para, só então, concluir que de fato há um golpe e nos decidirmos pela resistência? Quem admite esse nível de raciocínio, joga tudo na mão da repressão e, portanto, se porta como um aventureiro suicida, ainda que involuntariamente.

Por outro lado, quem vulgariza o debate, sustentando argumentos inócuos como o de que “o golpe mesmo já foi dado e foi pelo próprio governo Dilma”, deixa solenemente em aberto a obrigação de uma caracterização plausível do que significa essa manobra jurídica/parlamentar/midiática da oposição burguesa contra o governo. Ora, quem confunde uma coisa com a outra e banaliza conceitos dessa forma tão ingênua, mecanicista e portanto deseducativa, não merece ser levado a sério. Se tudo é golpe, nada é golpe. Não é porque o governo Dilma, que de fato joga em favor do inimigo de classe, esteja sob pressão conspirativa de seus opositores burgueses, que podemos nos dar ao luxo de dizer “Bolas, eles que se matem. Não tenho nada que ver com isso”. Fechar os olhos diante dos nítidos movimentos golpistas da oposição burguesa, sob o pretexto das traições do governo Dilma, é estender o tapete vermelho para o rolo compressor do PSDB-DEM-PMDB, que virá logo em seguida. Esse tipo de postura derrotista, em última análise, abre mão de preparar entre nós a nossa própria saída e acaba desarmando qualquer possibilidade de resistência, conduzindo a classe à passividade, sob os pés de seu próprio algoz.

Ademais, já não estamos mais em junho de 2013, quando o governo Dilma e os intelectuais do PT, acossados por milhões nas ruas de Norte a Sul do país, tentaram nos vender a pérfida chantagem de que aquelas manifestações não passavam de um “golpe”, quando na verdade estávamos diante de uma impactante onda de mobilizações empalmada pelo grosso da juventude trabalhadora e precarizada das grandes cidades, movida pelas mais justas reivindicações. Aqui, a coisa é bem diferente: estamos no auge da crise de popularidade de um governo de conciliação de classes, que esgotou suas reservas políticas e vê-se diante de um golpe institucional de signo político reacionário, travestido com a legalidade constitucional de um processo de impedimento, guiado por nomes infames (como Temer, Cunha, Aécio, Serra, FHC, Skaf e família Marinho) que instrumentalizam, no interesse de sua ambição, peças chaves da burocracia estatal (PF, MP, Moro, OAB, etc.) e operam com o propósito de afastar o governo Dilma, enterrar as investigações da “Lava Jato” nos confins do esquecimento e aprofundar os planos de austeridade econômica sobre os ombros do proletariado brasileiro.

Não há outro caminho possível para os lutadores socialistas que não seja incendiar todo o Brasil com greves, ocupações e bloqueio de vias, num enfrentamento implacável para massacrar de vez a reação golpista. A declaração de Guilherme Boulos, portanto, deve ser abraçada por todos nós.

Nem defender Dilma, nem a democracia como valor universal.

Todavia, há aqui um grande perigo que precisa ser discutido com sobriedade e dureza. É indesculpável permitir que o legítimo movimento de luta contra essa ofensiva reacionária seja sequestrado pela tropa de choque do governismo e convertido num movimento chapa-branca de explícito apoio político ao governo federal. Mesmo agora, com a hipótese do golpe se consumar, não cabe a menor linha de apoio a um governo que vacila diante dos golpistas, quando hesita em expulsar o PMDB do seu próprio governo, mas não pensa duas vezes em fustigar a classe trabalhadora com mais austeridade econômica e leis repressivas. É preciso se posicionar contra o golpe da oposição burguesa, não em favor dos interesses do governo de turno, mas justamente apesar dele e até mesmo contra ele. Para ser ainda mais enfático, é necessário estar disposto a ir além do que o próprio PT pode ir para esmagar a ofensiva golpista em curso. Mas não devemos ter a menor dúvida de que, caso seja debelado o intento golpista, Dilma seguirá orquestrando os planos de ajuste ao mesmo tempo que convocará os golpistas à reconciliação, em proveito da democracia (burguesa). Não há elemento algum que indique o contrário.

A unidade entre a esquerda, pela qual devemos combater, está justamente a serviço de impedir não só uma virada reacionária ainda mais desfavorável para a classe trabalhadora, mas, principalmente, que possamos edificar um verdadeiro bloco nacional de esquerda e classista, capaz de atrair e unificar os mais abnegados ativistas das últimas mobilizações pelo país, e que permita oferecer uma verdadeira alternativa socialista, diante do processo de esgotamento do ciclo petista. É exatamente por tudo que foi dito até aqui, que é inaceitável que o chamado de Boulos seja não somente atendido, mas sobretudo, transformado em uma ampla e verdadeira campanha em torno da proposta de unidade. Assim como também é inadmissível que casos, como os recentes assassinatos de dois militantes do MST, não sirvam como um sinal de alarme para que os revolucionários concretizem essa necessária unidade. Não podemos nos dar ao luxo de perder ainda mais tempo. Já está passando da hora de acender o pavio.

[1]. “Há setores do mercado que acham que vão tirar Dilma e vão fazer as "reformas e

struturais" que se precisa para a sociedade brasileira. O escambau. Este país vai ser incendiado por greves, por ocupações, mobilizações, travamentos. Se forem até as últimas consequências nisso não vai haver um dia de paz no Brasil’ referencia de dia e lugar em que isso foi dito” 22/03/1
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misteriosa compra de acções do Banif por Angola causou "surpresa" "Para mim, foi tudo uma grande surpresa". Joaquim Marques dos Santos, administrador do Banif desde a fundação em 1988, não sabe explicar o caso da compra de acções do banco pelo Estado angolano, nos anos 90, que chegou a ser investigado judicialmente. O tema chegou à audição desta terça-feira, 29 de Março, da comissão parlamentar de inquérito ao Banif através da deputada do Bloco de Esquerda Mariana Mortágua. Mas poucos foram os esclarecimentos dados por Marques dos Santos.Nos anos 90, surgiu a notícia de que o Estado angolano iria ficar com 49% do banco fundado por Horácio Roque mas os 150 milhões de dólares pagos nunca chegaram a dar poder no banco. Em 2008, o Estado angolano terá percebido que não tinha esse poder, o que levou a crer que o dinheiro tivesse desaparecido, e colocou uma queixa contra os portugueses intermediários do negócio.

Joaquim Marques dos Santos diz que só foi tendo conhecimento do tema pelos jornais. "Não", foi a resposta dada quando questionado sobre o acordo que houve entre as partes e que levou à retirada da queixa pelo Estado angolano. O tema levou a vários encontros ao mais alto nível entre a justiça nacional e angolana. Orlando Figueira – investigado no âmbito da Operação Fizz – era o procurador responsável pelo inquérito.

Mariana Mortágua questionou se Marques dos Santos tinha ideia se o dinheiro da operação poderá ter vindo para Horácio Roque, o fundador do Banif. O antigo líder do banco negou. "Para mim, foi tudo uma grande surpresa", frisou.

Marques dos Santos foi a primeira personalidade a ser ouvida na comissão parlamentar de inquérito ao Banif, banco que recebeu uma injecção de 1,1 mil milhões de euros estatais em 2013 e, dois anos depois, foi alvo de uma medida de resolução, que custou mais 2.255 milhões de euros públicos e implicou a sua venda por 150 milhões ao Santander Totta.misteriosa compra de acções do Banif por Angola causou "surpresa" "Para mim, foi tudo uma grande surpresa". Joaquim Marques dos Santos, administrador do Banif desde a fundação em 1988, não sabe explicar o caso da compra de acções do banco pelo Estado angolano, nos anos 90, que chegou a ser investigado judicialmente. O tema chegou à audição desta terça-feira, 29 de Março, da comissão parlamentar de inquérito ao Banif através da deputada do Bloco de Esquerda Mariana Mortágua. Mas poucos foram os esclarecimentos dados por Marques dos Santos.Nos anos 90, surgiu a notícia de que o Estado angolano iria ficar com 49% do banco fundado por Horácio Roque mas os 150 milhões de dólares pagos nunca chegaram a dar poder no banco. Em 2008, o Estado angolano terá percebido que não tinha esse poder, o que levou a crer que o dinheiro tivesse desaparecido, e colocou uma queixa contra os portugueses intermediários do negócio.

Joaquim Marques dos Santos diz que só foi tendo conhecimento do tema pelos jornais. "Não", foi a resposta dada quando questionado sobre o acordo que houve entre as partes e que levou à retirada da queixa pelo Estado angolano. O tema levou a vários encontros ao mais alto nível entre a justiça nacional e angolana. Orlando Figueira – investigado no âmbito da Operação Fizz – era o procurador responsável pelo inquérito.

Mariana Mortágua questionou se Marques dos Santos tinha ideia se o dinheiro da operação poderá ter vindo para Horácio Roque, o fundador do Banif. O antigo líder do banco negou. "Para mim, foi tudo uma grande surpresa", frisou.

Marques dos Santos foi a primeira personalidade a ser ouvida na comissão parlamentar de inquérito ao Banif, banco que recebeu uma injecção de 1,1 mil milhões de euros estatais em 2013 e, dois anos depois, foi alvo de uma medida de resolução, que custou mais 2.255 milhões de euros públicos e implicou a sua venda por 150 milhões ao Santander Totta.image copiarJornal Económico -

Portugal - Diario Digital -

A porta-voz do Bloco (BE) de Esquerda disse hoje, em Torres Novas, que o partido vai votar favoravelmente o Orçamento do Estado para 2016 (OE2016) na generalidade, pois «não falha aos compromissos» que assume.
Declarando que o OE2016 que vai ser debatido e votado na generalidade na segunda e terça-feira no parlamento «não é o orçamento do Bloco de Esquerda» mas do Governo do Partido Socialista, Catarina Martins assegurou que, tendo resultado de um «percurso» de que o partido fez parte, este «não falha» aos seus compromissos.
«Na sua generalidade, o Orçamento do Estado vai de encontro ao que foram as negociações feitas com o Bloco de Esquerda e permite a recuperação de rendimentos pela primeira vez em cinco anos a quem trabalha ou trabalhou toda a vida em Portugal e, portanto, o BE vai fazer este debate não contra ao orçamento, mas para viabilizar o orçamento», declarou.
Numa sessão pública sobre 'O que traz o orçamento, o que quer o Bloco?', realizada na Biblioteca Municipal de Torres Novas, a dirigente do BE afirmou que o partido será “extraordinariamente exigente para que na especialidade se dê mais resposta aonde ela está a faltar” e se prossiga um caminho de recuperação de rendimentos, de soberania e de emprego.

Portugal - -

António Costa espera que BdP assuma "a posição responsável que tem faltado".

Brasil - - Depois de vinte e um anos de regime militar (1964-1985), o poder foi devolvido aos civis, após uma anistia recíproca entre os denominados subversivos e os militares, anistia esta ampla e irrestrita.

Em 1988 foi promulgada a nova constituição, denominada constituição cidadã, em virtude de agasalhar uma gama de benefícios sociais, além de avançar na proteção dos direitos individuais e coletivos dos cidadãos.

Em 1990 foi criada uma organização, liderada por Luiz Inácio Lula da Silva e Fidel Castro, denominada Foro de São Paulo. Esta organização tem como objetivo promover a integração dos partidos e organizações de esquerda da Latina- Americana e Caribe, aprofundando o debate, e avançar com proposta de unidade de ação consensuais na luta anti-imperialista, discutindo alternativas às políticas neoliberais, com objetivo final de promover a integração Latina –Americana no âmbito econômico, político e cultural.

Também foi eleito o primeiro presidente por eleição direta após trinta anos, Fernando Collor de Melo, candidato da oposição ao Partido dos Trabalhadores (PT), representada no pleito por Luiz Inácio Lula da Silva. Nesta época, o Brasil enfrentava uma hiper-inflação, a maior de sua história. Ao tomar posse, Collor na primeira semana de governo decreta o confisco da poupança do povo brasileiro. Em decorrência deste ato e de uma sucessão de escândalos, no segundo ano de seu governo, Collor sofreu um processo de IMPEACHMENT , que culminou com sua renúncia, assumindo a presidência seu vice Itamar Franco.

Em 1994, Itamar publicou a medida provisória 434, com objetivo de conter principalmente a hiper inflação, e executar as reformas econômicas e monetárias necessárias, conhecido como plano REAL, em decorrência do lançamento de uma nova moeda chamada Real. Este plano continha medidas ortodoxas e foi bem sucedido alcançando os resultados esperados.

Em decorrência deste êxito, Itamar lança como candidato para substituí-lo na presidência, seu ministro da economia, Fernando Henrique Cardoso, filiado ao Partido Social Democrático Brasileiro (PSDB). Cardoso foi eleito e reeleito, vencendo o candidato Lula do Partido dos Trabalhadores (PT), por duas vezes.

Em 2002, Lula consegue se eleger após participar pela quarta vez como candidato a presidência. Assumiu o governo com a inflação controlada e a economia organizada. Em 2004, estoura um escândalo que ficou conhecido como mensalão. Mensalão, por que deputados recebiam mensalmente uma certa quantia, para votarem favorável aos projetos do governo. Em conseqüência a cúpula do Partido Trabalhista, foi julgada e condenada. Lula ficou de fora alegando que foi traído e desconhecia o fato. Embora tenha tido uma repercussão muito negativa, Lula consegue se recuperar, reelegendo-se para mais um mandato. No final de seu governo, Lula surpreende a todos inclusive seu partido, e lança como candidata a sucede-lo na presidência, sua ex ministra de Minas e Energia e presidente do Conselho Administrativo da Petrobras Dilma Rousseff, que havia sido transferida para Casa Civil, substituindo o ex ministro José Dirceu devido ao envolvimento com o mensalão, sendo posteriormente julgado, condenado e preso.

Embora Dilma tenha sido classificada pela oposição como um poste, pois nunca havia se submetido a uma eleição, foi eleita, assumindo a presidência para o período 2010 – 2014. Entretanto no primeiro ano de seu governo, foram demitidos sete ministro envolvidos com denúncias de corrupção, bem como, a economia começou apresentar resultados ruins que foram creditados por ela a crise internacional de 2008. Diante deste quadro, sendo Guido Mantega seu ministro da Economia considerado incompetente pelo mercado, Dilma interfere na economia e na contra mão das medidas que todos os países adotaram para adaptar-se a crise mundial, adotou uma serie de medidas pouco ortodoxas, como estimular e expandir o crédito, isenção de impostos a indústria, controle de reajuste no preço da gasolina e energia, entre outras. Ademais suas posições autoritárias, provocaram uma grande dificuldade no relacionamento com o legislativo, deixando, desta maneira, de aprovar diversos projetos de interesse do governo. A economia, então, entrou em recessão pela primeira vez desde 1930.

Entretanto Dilma consegue se reeleger para mais um mandato para o período 2015-2018, mediante o que a oposição denominou estelionato eleitoral, devido a uma maquiagem positiva da situação da economia, durante a campanha eleitoral, além de suspeita de fraude na apuração, pois o sistema adotado não permitia a recontagem dos votos.

Em 2015, o déficit corrente foi de 4,5% do PIB e o déficit orçamentário 9% elevando a dívida pública a 70% do PIB. A inflação chegou ao patamar de dois dígitos, os juros a 14,25, a taxa de desemprego acelerou, a economia estagnou e o grau de investimento do Brasil foi rebaixado pelas agências de classificação de risco para a categoria de investimento especulativo. Para completar esse quadro desolador, a Polícia Federal deflagrou a denominada operação lava-jato que consiste na maior operação sobre corrupção conduzida até hoje no Brasil, semelhante a operação mãos limpas ocorrida na Itália. Ela começou investigando uma rede de doleiros que atuavam em vários estados e descobriram a existência de um vasto esquema de corrupção na Petrobras, envolvendo políticos de vários partidos, principalmente os que apoiavam o governo e as maiores empreiteiras do país. O esquema consistia no repasse à políticos e funcionários públicos, do dinheiro recebido pelas empreiteiras contratadas pela Petrobras, onde uma parte servia para financiar as campanhas políticas e outra para o bolso dos participantes.

Em conseqüência a este quadro, foi proposta e aceita uma petição requerendo o IMPEACHMENT no legislativo, órgão competente para tramitar o processo que poderá cassar a presidenta e outro no Superior Tribunal Eleitoral para cassar a chapa eleita composta por Dilma Rousseff e seu vice Michael Temer. Assim com a economia atada a política, o Brasil chegou à encruzilhada política, pela contra mão da economia. Desatar este nó é o x do problema, quem viver verá.

Brasil - Correio da Cidadania - Artigo escrito por Paulo Arantes para o Correio da Cidadania.

O Correio da Cidadania convidou o filósofo Paulo Arantes para uma entrevista que acabou se tornando uma longa reflexão a respeito dos desígnios brasileiros – políticos, sociais, econômicos e culturais – do momento em que diversos dilemas se colocam. “Exaustão”, foi a palavra escolhida para definir o atual fim de ciclo em curso, que se refere também ao próprio ânimo popular, não somente a um “modelo”. “Do manejo macroeconômico ao distributivismo indolor, tudo bateu no limite. Mal menor não é progresso, mas estabilização numa desgraça incontornável”.

Crise econômica, ameaça de grande regressão nos direitos sociais e crise política. Crise de governo, da democracia, fim de ciclo?

Vivemos o fim de um ciclo. Mas não um ciclo qualquer, tampouco uma crise cíclica, como é da natureza de um sistema descrito por Marx como a contradição em processo. Estamos simplesmente vivendo o fim de toda uma era. Há quem veja nesse desfecho, que se arrasta aos trancos e barrancos desde junho de 2013, talvez a mais grave crise de nossa história. Por isso mesmo não é de fácil identificação. Não é uma crise saneadora a mais, ao fim da qual o bom negócio chamado Brasil entraria nos eixos. O drama agora é outro. E olhe que a recessão econômica mal está começando, o desemprego ainda não bateu forte, a polarização está muito longe dos padrões venezuelanos ou mesmo argentinos, para ficarmos nos ingredientes clássicos, dentre os quais nem precisei mencionar um ainda muito remoto surto inflacionário.

No entanto, semana sim, semana não, a remoção institucional da presidente entra na agenda, na dependência de um arranjo entre os caciques de sempre, enquanto a esquerda legal se limita a soltar manifestos. Creio que dá para sentir o drama e sua novidade nessa trivialização da conversa sobre as modalidades de cassação de um mandato popular, em meio à gesticulação de uma esquerda que na melhor das hipóteses já é apenas memória e comentário.

Esse é o meu ponto. Nunca se falou tanto de uma crise, no próprio momento em que ela transcorre, como se já fosse passado passando, por assim dizer. Não sei se é mera impressão, mas, para ser sincero, acho que ninguém aguenta mais falar justamente da “mais grave crise de nossa história”! Menos ainda ouvir ou ler a respeito. Estamos todos à bout de soufle. Não por acaso se falou muito do fôlego curto dos manifestantes de junho. Desconfio que não sou o único a ter chegado a esse ponto de saturação. Mesmo assim, sabendo de antemão que mal serei lido, pois todo mundo já disse de tudo ao longo desses seis meses de ata-não-desata, vou procurar responder à pergunta. E precisamente puxando por esse fio a meu ver revelador da sua natureza profunda, só aparentemente frívola: estamos cansando de tanto falar da crise, no fundo estamos sendo vencidos pelo cansaço.

Ouvi certa vez um especialista dizer que a Revolução dos Cravos batera no teto e refluíra até se extinguir, para além dos obstáculos mais ou menos previsíveis, como o veto da OTAN, a desmoralização soviética ou o dinheiro da União Europeia, porque o povo português simplesmente cansara da batalha diária nas ruas durante meses a fio. O fôlego simplesmente acabara. Exatos quarenta anos depois, não é menos verdade que neste último dia 5 de julho não se sabe bem onde 60% dos eleitores gregos foram buscar a energia que faltava para derrotar, por enquanto nas urnas, o regime de austeridade imposto pelo atual sistema europeu de poder sobre a moeda comum. Numa palavra, venceram o cansaço provocado por cinco anos de um arrocho que parecia sem fim e ainda não se sabe que destino terá. Nos dois contextos de crise, uma revolucionária, outra de restauração da ordem, o cansaço pode muito bem se apresentar como uma chave política capaz de fechar ou abrir uma conjuntura que está longe de ser apenas mental.

Quanto a nós, está claro que não chegamos ao fim de nenhum capítulo da mítica Revolução Brasileira da minha geração. Era só o que faltava, embora não seja menos impressionante a sensação incongruente de estarmos nos defrontando com uma contrarrevolução (que não veio para liquidar ou prevenir revolução alguma, ou mesmo as tais “conquistas sociais” que não ameaçavam ninguém, antes contribuíam para o desarmamento moral da nação, muito embora o pau continuasse comendo solto nos porões da Democracia), mas a um fim certamente chegamos e, além do mais, exaustos.

Pois, assim, é esse um dos sintomas desconcertantes dessa anomalia com cara de crise à moda antiga. A inexpressiva vitória eleitoral do ano passado, à base de voto no “mal menor” e correria esquerdista de última hora, revelou uma sociedade cansada e soterrada por uma avalanche conservadora que de geração espontânea não tinha nada, crescera nos anos das tais “conquistas”.

Paralelos com 1964

Durante a Ditadura, o que mais se debatia nos círculos oposicionistas era a natureza do “modelo”, como se passou a falar desde então. Discutia-se qual a natureza do modelo econômico ou do modelo político do regime, quais os seus limites, em função dos quais, cedo ou tarde, se esgotariam caso não se renovassem. Foi esse, então, o momento da crise e, portanto, o momento ótimo para a virada que ela representava, segundo a acepção clássica do termo. E ela finalmente veio com as crises conjugadas da dívida, da inflação, do petróleo etc. Todas interpretadas como choques, a um tempo externos e internos. Como também passaram a ser de choque as terapias adotadas para reverter a fase aguda da crise. Como um teórico observou recentemente, cada época tem as suas doenças paradigmáticas. Assim, tanto a Guerra Fria como o Terror Branco das ditaduras do Cone Sul seguiram o esquema imunológico, na verdade um autêntico dispositivo militar de ataque e defesa orientado pelo princípio de eliminação de tudo o que fosse estranho, mesmo que desprovido de qualquer intenção adversa; bastava a estranheza enquanto tal.

Todo o repertório punitivo de hoje em torno de choque disso ou aquilo, ordem, gestão ou mesmo capitalismo, como disse um sábio no fim dos anos Sarney, é resíduo arcaico daquele período idem. O Choque está nas ruas desde junho, mas os assim chamados golpistas (outra reminiscência) estão tratando a corrupção endêmica como uma falha imunológica generalizada, como nos tempos em que subversão e corrupção eram intercambiáveis. Não há mais campanha de vacinação contra o vírus comunista, por mais que alguns homens das cavernas espumem. O estresse agora é outro, ou melhor, só agora o paradigma do estresse tornou-se lugar comum, estendendo-se da saúde estourada no trabalho ao colapso dos ecossistemas.

Mas voltemos ao tempo em que os modelos entravam em crise e se esgotavam, a fim de reparar que talvez (ou melhor, com certeza) não seja mais assim, sendo a crise um nome antigo para uma coisa nova. Seja como for, por inércia, ou clarividência que ainda não encontrou a palavra da vez, de esgotamento é o que mais se fala, seja das virtudes terapêuticas do lulismo, seja de políticas específicas, a começar pela exótica nova matriz econômica. A novidade é o esgotamento simultâneo, ambos fatores reforçando-se mutuamente, desde vários mecanismos de governo até as coisas e as populações, para prolongar a velha distinção de Saint Simon da qual a tradição de esquerda não soube se desvencilhar.

A esta altura, desnecessário enumerar as múltiplas falências, do manejo macroeconômico ao distributivismo indolor. Tudo bateu no limite, pelo que se lê nas centenas de comentários. Tampouco vale qualquer comentário o circo de horrores político. Salvo pela paródia grotesca da antiga equação keynesiana, do bom governo que induzia cada classe a assumir o papel da outra, de tal modo que o capitalismo no centro de tudo parecia um jogo de soma positiva. Por aqui o que vemos são centrais sindicais fechando com os megaprojetos tocados pelas empreiteiras chocadas pela Ditadura enquanto as pavorosas bancadas da bala, da bíblia e do boi jogam cascas de banana nas políticas de direita de um Executivo de esquerda. Mas chega de varejo e conjuntura, o que não falta é colunista em cima dessa rapadura.

Para voltar, assim, ao nosso “esgotamento”, de tudo e ao mesmo tempo, é bom não perder de vista o timing nada trivial do encadeamento dos diversos estresses (para variar) hídricos das grandes regiões metropolitanas, aos quais se soma a iminência de outros tantos apagões. Na mesma linha, um governo em queda livre, um dia depois de sua posse, não deixa de ser no seu gênero um evento extremo. Se estivéssemos à procura de uma metáfora que resumisse todo esse clima de consumação de uma época, nada melhor do que o olho clínico de um personagem carismático no seu ocaso. É no “volume morto” que nos encontramos mesmo, em todos os sentidos abaixo da linha de captação do que quer que seja. Esgotamos por predação extrativista um imenso reservatório de energia política e social armazenada ao longo de todo o processo de saída da Ditadura.

A entropia avassaladora de agora não afeta apenas os últimos doze anos e meio de hegemonia lulista como se costuma resumir o polo prevalecente nesse período de FlaxFlu eleitoral ininterrupto, mas o longo prazo iniciado por uma Transição que está morrendo agora na praia. Os pretensos herdeiros desse espólio simplesmente não sabem o que os espera ao apressarem seu fim institucional. Estarão abreviando sua própria sobrevida, pois a fuga para frente que ainda insistimos em chamar de crise é antes de tudo um processo ao qual nenhum lance dramático porá fim, nem suicídio, quanto mais intrigas regimentais de políticos e negocistas de quinta. Vencidos pelo cansaço, então, também é isso: trinta e cinco anos ralando, e de permeio um descomunal desperdício, o próprio emblema da tragédia segundo os Antigos.

A crise é assim, essa convergência desastrosa de uma inédita exaustão de todo tipo de recursos, dos mais elementares aos mais elevados, da polinização à imaginação política. Até a potência de Junho parece que se esgotou. Pois é tal a entropia do capitalismo, desorganizado desde o Big Bang de meados dos anos 1970 em seu núcleo orgânico, que desorganiza até mesmo as forças antissistêmicas. Só para efeito de comparação, veja-se o caso do outrora maior partido de esquerda do Ocidente. O PT não está agonizando por força de rejeição imunológica, por maior que seja o efeito do choque externo das ondas sucessivas de anticorpos enraivecidos até o ódio mortal, mas por motivo de uma combustão interna que o consumiu, por assim dizer, do berço ao túmulo. Nenhum ato de violência de classe o desviou de sua vocação original, pura e simplesmente dissipou-se a energia que o mantinha em funcionamento. Bem como a das grandes centrais sindicais e movimentos sociais históricos que gravitavam em sua órbita. Foram todos vencidos pelo cansaço, como sabe todo batalhador de movimento social, quase sempre à beira de um burnout.

Dito assim, parece, quando muito, a expansão duvidosa de uma metáfora, mas apenas porque esquecemos que o PT nasceu antes de tudo de um colapso, mais precisamente do colapso da construção da sociedade do trabalho no Brasil, justamente – mas agora em plano global, pois estamos falando de modernização capitalista – por uma falha do “motor humano” de todo o edifício. Como não posso me explicar, corto o caminho por uma recapitulação de época, afinal estamos tentando desde o início identificar o fim de uma época e não a enésima alternância de ciclo e crise.

O fim de uma narrativa de Brasil

Como lembrado, o raio detonador da crise caiu em junho de 2013. Em março daquele ano, a aprovação do governo beirava níveis norte-coreanos. Três meses depois, se ainda não estava no chão como agora, rolava ladeira abaixo. Por isso ganhou mal as eleições, ao contrário da direita que perdera convencida de que o seu ressentimento já era uma praga nacional – outro recurso que se esgotou e marquetagem alguma renovaria. Para uma comunidade política de expectativas imaginadas como a brasileira, e como tal embalada desde o berço por uma procissão de milagres e miragens, uma reversão traumática. Em menos de quinze dias de ação direta nas ruas, e outros tantos de uma insurgência coxinha jamais vista, embora estivesse na cara a tremenda sociedade aquisitiva-conservadora que o elixir lulista irrigara, virou letra morta a grande narrativa contemporânea do Brasil global player que deu certo e rendia conforto e boa consciência à recaída neodesenvolvimentista da esquerda, literalmente um projeto amazônico de poder para escola superior de guerra nenhuma botar defeito.

Mas deixemos de lado, por enquanto, nossa Segunda Guerra Fria, parcialmente imaginária como a primeira, embora quentíssima na periferia, também como a outra. Numa palavra, a fórmula mágica da paz simplesmente se esgotou, como todos os demais recursos que alimentaram o jogo de cena da trégua lulista. Todo mundo sabe de trás para frente quais eram esses recursos: o consenso das commodities, o acesso facilitado ao crédito e consequente endividamento popular em grande escala, o consumo de massa puxado por uma descomunal e caótica expansão urbana etc. Como também todo mundo sabe, nada disso teria sido possível caso o monstruoso renascimento do poder de mercado chinês não tivesse subvertido todo o metabolismo do capitalismo global, tanto pela reconfiguração da divisão internacional do trabalho como pela divisão internacional da natureza, Amazônia incluída.

Como resumiu Camila Moreno, “nós estamos dentro da China, e a China está dentro de nós”. Um dia ainda nos daremos conta de que o drama de época que está se encerrando agora foi representado em dois palcos distintos, transitando do finado Consenso (financeiro) de Washington ao não menos fantasmagórico Consenso (extrativista) de Pequim. Mas não estou querendo resumir toda essa época dizendo que o cobertor encurtou, o armistício rompeu-se e a guerra social voltou, pois ela nunca foi embora, nossa “pacificação”, como as aspas de rigor indicam, nunca deixou de ser crescentemente armada, a quarta população carcerária do mundo não é apenas uma enormidade estatística, mas uma política de sequestro de populações selecionadas para apodrecer.

O que, portanto, está virando pó, ou definitivamente já virou, não era em absoluto um horizonte em expansão, mas antes de brutal contração, ofuscada, no entanto, pela poeira de uma ditadura que batia em retirada. Nem por isso deixa de virar pó aquela narrativa ascensional, segundo a qual uma nação reencontrara o seu destino, deixando para trás um ciclo autoritário, constitucionalizando a nova ordem, contendo a hiperinflação e estabilizando a moeda para em seguida incluir os pobres num mercado interno de consumo de massa, desenhar políticas sociais celebradas mundo afora como best practices, projetar suas próprias transnacionais e arrastar consigo megacanteiros de obras de infraestrutura e muitos outros etcéteras, todos igualmente milagrosos, pois sem ônus para qualquer interesse estabelecido.

Nada nessa narrativa de redenção que acabou rendendo capa na Economist era inteiramente falso, pela simples razão de que poderia ter sido muito pior. Mal menor não é progresso, mas estabilização numa desgraça de qualquer modo incontornável, como de resto sabem todos os envolvidos no conflito Israel-Palestina, para dar um exemplo extremo porém congruente, um impasse que um insuspeito historiador do problema dos refugiados palestinos, Beny Morris, chamou de apocalíptico. A verdade verdadeira em nosso caso de sucesso, a caminho, de sucesso em sucesso, do esgotamento de agora, consistia, ao fim e ao cabo, no êxito na contenção de um processo de desintegração múltipla que exigia um novo tipo de governo na contramão da rigidez disciplinar do desenvolvimentismo de caserna.

O horizonte de expectativas tão brutalmente rebaixado de Junho para cá tinha na realidade um perfil baixo desde o início. O fato é que lá atrás recomeçamos por baixo, com uma democracia de baixa intensidade (novamente “racionada”, como diria Marighella e relembrou recentemente Lincoln Secco), acoplada a um processo de desestruturação produtiva altamente explosivo que da noite para o dia descartou por falta de interesse econômico uma massa considerável de futuros trabalhadores inviáveis, salvo para o subemprego nos mercados informais ou ilícitos.

O sopro novo conquistado no processo de saída da Ditadura, sem ser de modo algum efeito de uma respiração artificial, foi se esgotando desde então à medida que uma queda social jamais vista exigia uma política “presentista” de pronto atendimento, igualmente inédita em termos de engenharia social. Resumindo de outro modo: à constatação silenciosa de que a construção de uma sociedade do trabalho no Brasil era página virada, respondeu-se com a invenção (aliás, bipartidária) de um novo governo do social, cuja fratura a eclipse do trabalho selara. Como no seu país de origem, a França, estava fora de cogitação uma sociedade salarial no Brasil. Porém, o mais desconcertante naquela saída em falso, na qual somente mais tarde reconheceríamos o que era, a rigor uma saída de emergência, é que com ela se abria uma outra frente de trabalho.

Entendamo-nos. Por assim dizer, o que se deteriorava por um lado brotava do outro: uma onda nunca vista de trabalho social militante parecia varrer o país, que passava a ser visto como um imenso mutirão de resgate de uma dívida social histórica que a Ditadura agravara ainda mais. Tudo se passava, então, como se o choque causado pela crise da dívida, que explodiria na moratória de 1987, tivesse intensificado por sua vez uma certa percepção social de emergências acumuladas, como se o flagelo da hiperinflação, a fome velha e nova, a demanda por direitos achados na rua, a dívida externa impagável que ninguém contraíra etc. etc. formassem um grande continuum de urgências pedindo outras tantas intervenções. O take off celebrado mais à frente, quando moeda estável e inclusão através dessa mesma moeda formaram outro continuum, decolaria justamente desse campo humanitário minado.

Sob o signo da carência sem fim, aos poucos a política deixava de ser vista como luta para se converter em ação terapêutica voluntária. Até mesmo o ciclo de acumulação primitiva e seu cortejo de violências saneadoras representada pela onda de privatizações e âncoras cambiais também não deixaram de ser uma fuga para frente e como tal uma outra ilusão encobridora de nossa queda. A dominância financeira que se consolidou a seguir amarrou de vez nosso capitalismo de cupinchas (nossa versão do crony capitalism inventado no sudeste asiático), do qual o Estado, paradoxalmente ampliado pelas privatizações, tornou-se o nó de todos os nós de toda aquela rede de big shots consorciados.

Uma exaustão que não deixa nada

Empurrada pelo trabalho social de inclusão – em suas várias vertentes: estatal, empresarial, Terceiro Setor, igrejas, e operadores dos mercados de substâncias ilícitas – pode-se dizer que a monetização integral do laço social era uma questão de tempo... E dinheiro. A começar pela redenção em dinheiro vivo justamente daqueles sujeitos monetários sem dinheiro, deixados no caminho pela marcha de nosso crescimento oco pós-colapso. Mas é claro que não vou reabrir agora o dossiê das Transferências Monetárias Condicionadas, o Welfare do século 21, segundo Lena Lavinas. Um modelo (isso mesmo, mais um modelo) cujos recursos (em todos os sentidos, mágicos inclusive) estão precisamente, não custa repetir, se esgotando (também em todos os sentidos), por incrível que pareça. Ou melhor, faz todo o sentido: política social como colateral de acesso ao sistema financeiro, de forma a potencializar o consumo represado por pobreza e salários historicamente baixos.

O fato é que batalhando por, e em nome de, emancipação, alargávamos uma espécie bizarra de Câmaras de Compensação e Reparações onde cabia todo tipo de acertos de contas: novamente um continuum no qual se expressa uma outra relação da política com o tempo, uma tremenda novidade em sociedades nacionais que se formaram orientadas para o futuro, de acertos seja com as contas de um passado de abandono ao deus dará social, seja com um passado de grandes violações de direitos humanos em que a reparação monetária passa a entrar, sim, em linha de conta, como se os crimes da história se pagassem agora com dinheiro (note-se de passagem que a história deixou de ser uma estrela guia), ou ainda na forma de ajustes pontuais a título de redução de danos, e mais uma montanha de etecéteras na mesma linha da política de ambulância e governos terceirizados. Uma sociedade cansada de gestão e agora em crise dessa mesma gestão é isso: intervenções para enxugar gelo e retardar um pouco um processo entrópico maior. No limite, uma sociedade em que até trabalhar pela própria emancipação parece cansar mais do que se deixar sucumbir de uma vez pela intensificação alucinada desse mesmo trabalho que ninguém consegue encontrar.

Estamos viajando? Pois voltemos aos trilhos. Não é mero acaso que toda a engrenagem da transição para um pretenso capitalismo descarbonizado (e mais ou menos como num processo dito de Justiça de Transição) esteja baseada precisamente num mercado de compensações no qual se compra o direito ao mal menor das emissões excedentes, tal como o dano colateral num ataque de Drone desincumbindo-se de sua kill list entra na conta de uma prevenção humanitária maior (um massacre de turistas numa praia mediterrânea qualquer). Tudo se compensa, além do mais, e cada vez mais, monetariamente, neste cenário de desgraças comparadas, sob o fundo do qual falar no avanço de nossas conquistas sociais que a “crise” estaria estancando, se não digo que beira o escárnio é por ser simples falta de noção, embora sempre se possa dizer: antes isso do que nada.

Mas é justamente essa visão progressista do progresso por degraus de melhoria a subir ou a descer que caducou. E esvaziou-se precisamente tal lógica ascensional escandindo o curso do mundo quando se passou, enfim, a convocar como último recurso (novamente) o direito dos pobres ao dinheiro, se não estou abusando do esforço esclarecedor do filósofo Homero Santiago de pensar os efeitos paradoxais do Bolsa Família.

Entretanto, vai na direção contrária, embora raciocine a bem dizer nos mesmos termos, a figuração da segmentação dos pobres nas periferias segundo o sociólogo Gabriel Feltran, cenário sombrio onde se aposta pesado no dinheiro como única mediação do conflito entre grupos que de outro modo se confrontariam em condições de alteridade radical e violenta: sejam legais ou ilegais os mercados onde circula livremente o pagamento à vista em efetivo, o dinheiro é a última fronteira do “comum”. Como é o último recurso mesmo, quando também ele começar a secar na chapa quente de um outro aquecimento global, o regime de espoliação punitiva que é o Estado de Austeridade, voltaremos a rolar ladeira abaixo depois da insustentável pausa conservadora das antirreformas ou não-reformas lulistas (urbana, agrária, tributária etc.).

Para se ter uma ideia dessa ladeira e dos sucessivos horizontes que por ela vão se estreitando desde que caímos para cima, como diziam os humoristas nos tempos da descompressão política com inflação nas nuvens, basta lembrar que houve época em que o assalariamento e a correspondente subordinação ao comando do capital parecia aos despossuídos e estropiados em geral a única rota de fuga aos horrores do mando proprietário num país de raízes coloniais. E para alguns, selecionados a dedo pela máquina varguista da “cidadania regulada”, na fórmula famosa de Wanderley Guilherme, uma estreita porta de acesso ao mundo dos direitos básicos do eleitor-trabalhador. Agora que o assalariamento se dessocializou, pulverizando a classe, o acesso ao dinheiro nu e cru se apresentou como a tábua de salvação da vez. Qual será a próxima em nossa Câmara de Compensações, cujo fornecimento de oxigênio a atual geopolítica de recursos escassos está cortando?

Para que não haja mesmo dúvida a respeito do que vem por aí, relembro que um coletivo carioca, agrupado teórica e politicamente em torno da Crítica do Valor, há algum tempo vem refinando suas análises acerca do que denominam “gestão da barbárie”, sobre a qual se explicam e ilustram, por exemplo, no livro Até o último homem, a respeito da gestão armada da vida social na cidade olímpica do Rio de Janeiro. Foi precisamente essa gestão da barbárie que se esgotou com a crise exposta pela reviravolta de Junho, esquerda e direita confundidas na mesma ressaca, e que evoquei nesta digressão sobre a crise de exaustão numa sociedade cansada. Sai a gestão, resta a barbárie. Como tal gestão e o fabuloso arranjo lulista são uma só e mesma coisa, pode-se dizer que deixará saudades – que seja dito em agradecimento e louvor à esquerda que está sendo escorraçada agora na ignomínia. Alguém lembrou com justeza que o ônus será coletivo. Iremos todos pedalar no inferno por uma geração, na melhor das hipóteses.

Galiza - CUT - A delegada de persoal da CUT que leva catro anos desafiando a unha empresa con varias condenas por vulneración de dereitos é sancionada con 10 días de emprego e soldo.

A empresa de hostalaría Casa das Crechas SL, propiedade de Vitor Belho, vén de sancionar á delegada de persoal da CUT con 10 días de emprego e soldo polo uso do seu crédito sindical, na segunda tentativa da empresa de destituír ilegalmente á representación colectiva no centro.

Logo de negarlle reiteradamente as súas horas sindicais a empresa amonestou á traballadora pola utilización do seu crédito para tarefas sindicais, querendo provocar o seu despedimento. Esta empresa destacouse dentro da hostalaría compostelá nos últimos anos por acumular sentenzas condenatorias por diversas vulneracións de dereitos laborais e tamén sindicais a compañeiros e compañeiras desta central, e xa os tribunais composteláns lle obrigaron a pagarlle á delegada unha indemnización pola agresión aos seus dereitos representativos.

Para a CUT é moi importante sinalar a responsabilidade de Vitor Belho, insigne líder da farándula compostelá, no fostigamento aos membros da nosa sección sindical que conduciu a varias mobilizacións ás portas desta empresa, e que concluíu no despedimento de varios compañeiros e compañeiras. A CUT non descarta a reanudación das mobilizacións sindicais.

Brasil - - TÍTULO: O ORÇAMENTO PÚBLICO DESTINADO À TROIKA

RESUMO: O atual debate sobre a proposta de mudança do superávit primário brasileiro omite que o orçamento público é destinado prioritariamente ao capital. Tanto a proposta dos partidos de oposição, repercutidos pela mídia corporativa, como a proposta do governo destinam a maior parte dos recursos públicos ao capital. No primeiro caso, estão aqueles que, sob o discurso vazio e politiqueiro, defendem o destino direto dos recursos públicos ao capital. No segundo caso, a proposta é apenas um verniz de legalidade para enquadrar no orçamento tanto os aumentos dos gastos e reajustes das obras do Mundial de Futebol, via as obras do PAC, como para garantir a sobrevivência de empresas investidores financeiros no mercado capitalista, via exonerações tributárias.

Paralelo ao escândalo que envolve uma das maiores empresas estatais do Brasil – Petróleo Brasileiro S/A, a disputa política no Brasil está marcada pela recente proposta do governo de Dilma Rousseff em alterar a meta fiscal do superávit primário fixada na legislação do orçamento público do ano de 2014.
Trata-se do encaminhamento de projeto de lei (1) que consiste em ampliar a possibilidade de redução do resultado primário no montante dos gastos relativos às desonerações de tributos e ao Programa de Aceleração do Crescimento - PAC. O governo justifica a medida afirmando que "a redução do ritmo de crescimento da economia brasileira afetou as receitas orçamentárias de forma que se faz necessário garantir espaço fiscal para preservar investimentos prioritários e garantir a manutenção da competitividade da economia nacional por meio de desonerações de tributos. As políticas de incentivos fiscais e a manutenção do investimento tornaram-se imprescindíveis para minimizar os impactos do cenário externo adverso e garantir a retomada do crescimento da economia nacional". (idem 1)
Os partidos oposicionistas utilizam a proposta para, na disputa política, afirmarem que as contas públicas brasileiras estão fora de controle e que o governo brasileiro abandonou a política econômica de austeridade fiscal que levou o País a reduzir a inflação (2).
Todavia, tal tema passa quase que despercebida pelos movimentos sociais, grupos e partidos de esquerda ou, quando muito, é assimilado por estes sob a forma vendida pelas grandes corporações midiáticas que repercutem as afirmativas dos partidos oposicionistas de que se trata de fraude eleitoral, após o governo brasileiro repetir, exaustivamente, durante a recente campanha eleitoral que as contas públicas estavam controladas. (3)
Nada obstante, o equívoco está em não se perceber que os dois lados, governo e oposicionistas, defendem que os recursos públicos sejam destinados ao capital. Ou seja, ambos disputam a mesma face da moeda pública dirigida à troika. Explica-se.
A legislação vigente, que o governo quer alterar, dispõe que "a meta de superávit primário poderá ser reduzida em até R$ 67.000.000.000,00 (sessenta e sete bilhões de reais), valores esses relativos às desonerações de tributos e ao Programa de Aceleração do Crescimento – PAC". A proposta de alteração sugere retirar o valor de R$ 67 bilhões de reais à título de abatimento, de modo que a meta de superávit possa ser reduzida no montante das desonerações de tributos e dos gastos relativos ao Programa de Aceleração do Crescimento – PAC.
Se por um lado, os partidos oposicionistas gritam porque buscam anular qualquer abatimento do superávit primário, favorecendo integralmente o mercado financeiro – uma vez que já foram contra quando da tramitação legislativa da legislação original e agora, novamente, apresentam emendas no sentido de vetar qualquer tipo de redução do superávit. Pelo outro lado, tanto a legislação em vigor, como as alterações agora buscadas pelo governo, ambas significam pedir à troika migalhas do orçamento que é público.
E mais, não se pode desconsiderar que o valor a ser reduzido do superávit primário é destinado, por vias outras, ao capital porque integram a política de desoneração tributária que o governo Dilma promove a favor das grandes empresas e investidores, bem como que o PAC é uma lista de grandes obras públicas, na área de infraestrutura, que o governo selecionou como prioridades. Se de modo abstrato se pode pensar que "lista de obras de infraestrutura" trazem benefícios a toda sociedade, no caso concreto, a quase maioria das obras de infraestrutura são as obras ainda pendentes para o Mundial de Futebol ocorrido no Brasil neste 2014, inclusive, derivam de reajustes no preço das obras que tiveram que ser "aceleradas para finalização" diante da chegada da Copa do Mundo de Futebol.
Ao se investigar melhor o motivo pelo qual o teto de abatimento no valor de R$ 67 bilhões do superávit primário não foram suficientes para o cumprimento da meta fiscal fixada na legislação orçamentária, além de se encontrar outro gol da Alemanha no fatídico 7x1 – uma vez que a rapidez sequencial dos gols e atordoamento fizeram com que a contagem pudesse não ser fidedigna – são encontrados reajustes dos preços das obras diante do encurtamento do tempo para finalização das obras e isenção de tributos para grandes empresas e investidores.
Sabe-se que o capital financeiro e grandes empresas dependem inegavelmente do orçamento público, via Estado, para "sobreviver no mercado capitalista". Nisso reside a explicação do crescente intervencionismo público na economia brasileira, as injeções de bilhões de reais para investir nas instituições financeiras e setor produtivo. Além do que, não seria possível entender que as encomendas estatais sejam completamente relevantes para o grande capital (desde as obras públicas, até a existência de um setor específico do complexo industrial-militar, via a recente compra de aviões de guerra pelo Brasil).
Ou seja, em qualquer das hipóteses permanece em vigor o superávit primário brasileiro no valor de R$ 167, 37 bilhões. Este valor é destinado diretamente ou indiretamente ao capital. Sob a forma de superávit primário, tal recurso significa disponibilidade do orçamento público para que se paguem as despesas ditas "financeiras" – dívida pública e sua constituição. E, sob a forma concreta de como PAC existiu nesse período e das finalidades e destinações das exonerações tributárias, o orçamento público visa injeção mal disfarçada de recursos públicos para o capital.
É bom levar em consideração que o superávit primário é apenas uma das fontes de recursos públicos para o pagamento da dívida. Ele se origina a partir das receitas tributárias. Mas em sentido amplo de orçamento público, outros recursos também são utilizados para transferência de recursos à troika. Se no estágio atual do ano financeiro não é possível identificar esses "outros pagamentos à troika", a história recente mostra que o governo brasileiro já utilizou lucro do Banco Central, emissão de novos títulos, rendimentos da conta única do tesouro nacional e até recebimento de juros e amortizações de estados-membros e municípios que devem para a União. Aliás, no ano de 2014, apenas até 11 de setembro, o governo já gastou R$ 825 bilhões com juros e amortizações da dívida. Este valor representa 51% de todos os gastos federais até aquela data. (4)
Portanto, no atual debate sobre a mudança do superávit primário brasileiro, as oposições e a grande mídia são defensores absolutos da troika e o governo justifica-se sob o pálio de que as políticas de incentivos fiscais e a manutenção do investimento via PAC tornaram-se imprescindíveis para minimizar os impactos do cenário externo adverso e garantir a retomada do crescimento da economia nacional.
A pobreza desse debate e o silêncio dos movimentos anticapitalistas omitem que o capital financeiro especulativo vem sustentado na economia real, trabalhando junto com o setor produtivo, e ambos não abrem mão de que, primeiramente, existam políticas de pagamento de juros dos empréstimos ou para financiar a própria dívida; de pagamento do serviço da dívida e da imposição dos ajustes econômicos à periferia necessários à especulação financeira ou financeirização do Estado. Em seguida, que o Estado possa, sempre, socorrer as empresas, aumentar as compras governamentais, direcionar as ações dos Bancos Públicos e dos Fundos de Pensões para o controle efetivo dos pacotes de ações decisivos ou estratégicos (isenções tributárias e PAC) para o "desenvolvimento econômico", ou seja, o poder de escolha onde o "setor produtivo" irá investir.
Referências:
(1) Projeto de Lei 36/2014. Exposição de Motivos da Presidência da República Federativa do Brasil. Clique Aqui
(2) Notas dos Partidos Oposicionistas. Clique aquiOu ainda aqui
(3) Principais manchetes dos jornais brasileiros. Clique aquiOu aqui
(4) Execução Orçamentária – Brasil 2014. Clique aqui

Brasil - FIP-RJ - A Frente Independente Popular (FIP-RJ) vem a público repudiar impetuosamente a acusação caluniosa publicada pelo jornal "O Globo" no dia 23/07 em sua matéria "Após reunião, Frente Independente Popular decide partir para o ataque para se defender da polícia". Importante deixar claro que este artigo citado está sendo usado como justificativa para pedido de revisão dos habeas corpus que garantem a liberdade dos 23 ativistas indiciados na famigerada "caça as bruxas" que foi a "operação Firewall" da Polícia Civil.

Antes de tudo ressaltamos que a FIP se pauta sobre três princípios básicos: classismo, combatividade e o combate ao oportunismo. Desta forma, não colaboramos nem estabelecemos qualquer tipo de concessão ao jornal "O Globo" e seus congêneres, que não têm nenhuma autorização prévia para registrar e/ou divulgar qualquer informação de qualquer plenária e/ou reunião.

As plenárias da Frente Independente Popular são e sempre foram eventos públicos, e têm como prática básica a identificação pública de todos os presentes. Assim, se esses "jornalistas" (ou seriam investigadores?) realmente "acompanharam" nossa plenária, não se identificaram ao adentrar um espaço que, apesar de público, tem metodologias próprias de funcionamento. Dessa forma, o comportamento desses "jornalistas" revela, na verdade, os interesses escusos à que se propõem, agindo como verdadeiros policiais espiões a serviço do Estado fascista. Além disso, esses "senhores" incorreram em falta de respeito a todas(os) as(os) presentes nessa plenária pública e rasgam seus "princípios editoriais" de "respeito e a transparência na relação dos jornalistas com suas fontes" (Seção II, item C).

Esta "matéria" de "O Globo" ainda divulga mais uma informação caluniosa, fruto do devaneio advindo da mente degenerada de "jornalistas" desesperados por matérias alarmistas, afirmando que: "Integrantes (sic) pretendem se infiltrar nesses atos (comícios eleitorais), causando tumulto e quebra-quebra". Com relação a esta acusação deixamos claro que a FIP-RJ combate o oportunismo eleitoreiro através da propaganda, de panfletagens, da mobilização popular em atos públicos e da discussão franca e aberta com o povo. Ao contrário do que fazem os mandantes desse Estado de Exceção e seus braços armados (que usam seus exércitos para atacar o povo no exercício do seu direito mais fundamental e democrático de reivindicação e que promove chacinas no campo e nas favelas de todo o país), a FIP-RJ se coloca ao lado do povo para exigir o fim de todas as injustiças e barbáries cometidas todos os dias contra os trabalhadores brasileiros. Sabemos, com base na história, que nos gabinetes dos parlamentares sempre foram orquestrados os mais odiosos esquemas para reprimir as exigências do povo nas ruas.

Acusam-nos de procurar "atrair o apoio de sindicatos". Afirmamos que, com base no classismo, nunca deixamos e jamais nos furtaremos a prestar todo apoio e solidariedade aos trabalhadores, sejam estes sindicalizados ou não, em todas as lutas reivindicativas das categorias. Aliás, é mais do que compromisso dos sindicatos apoiar, seja da forma que for, as lutas populares.

Este referido jornal, honrando suas piores tradições de conluio com a repressão política desde os tempos do regime militar fascista, deixa ainda implícita nesta matéria a acusação de que os movimentos sociais são financiados, como se a luta popular se pautasse pelos mesmos princípios destes que nos acusam, ou seja, a ganância e o lucro a qualquer custo. Eles não compreendem que o povo se organiza e se une contra as injustiças por laços muito maiores do que podem imaginar: laços de solidariedade de classe, fraternidade e companheirismo.

Um dos termos mais utilizados nesta "matéria" de "O Globo" foi o termo "infiltrado", que na verdade se aplica muito bem a esta imprensa terrorista que age como espiã serviçal do fascismo, se infiltrando (entrando sem permissão) em reuniões de organizações populares, agindo como os "P2" (policiais infiltrados), já comprovadamente (e sem o menor pudor) presentes em diversas reuniões de sindicatos e assembléias populares. Esta imprensa terrorista se apropria de fatos para distorcer a realidade em nome da promoção do terror mais amplo e escrachado contra todo o povo que se levanta em luta por dignidade e melhores condições de vida, que são seus por direito.

A manipulação dos fatos nesta "matéria" chegou a tal ponto de absurdo em que se apropriou, de forma leviana e distorcida, da fala de uma participante e a publicou como se fosse uma decisão da plenária, o que não tem nenhuma relação com a verdade, uma vez que esta fala não corresponde a nenhuma das deliberações tomadas pela assembléia.

Não satisfeitos, vão mais longe, e tratam como se a Frente Independente Popular possuísse "líderes", para mais uma vez fazer coro com o discurso da "justiça" neste processo fantasioso e criminalizar novas(os) companheiras(os) e ativistas. Eles só conseguem compreender sua própria forma de organização, e, como agem sob as ordens dos gerentes do capital financeiro internacional, esses sim, seus chefes supremos, acreditam que os movimentos sociais também se organizam sob esta lógica.

Por fim, denunciamos que este mesmo monopólio da imprensa, encabeçado pelas organizações Globo, promove neste momento uma declarada cruzada de criminalização contra as organizações populares em luta pelos direitos do povo com objetivo claro de intimidação e perseguição política. Em resposta, nós da FIP-RJ reiteramos que continuaremos defendendo intransigentemente nas ruas e em todos os lugares o amplo direito democrático de livre manifestação e organização do povo em luta por seus direitos.

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