Desde então que a amizade entre os três perdura e foi a partir da leitura das obras “Danilo no Teatro da Vida” e na fotobiografia “José Vicente Jorge, Macaense Ilustre” sobre o pai e avô de Pedro Barreiros, que o documentário começou a ganhar forma. “O Pedro e a Graça continuam nesta cruzada que é a divulgação da cultura de Macau e tivemos uma conversa em que concluímos que poderia dar um documentário muito interessante fazer algo a partir de uma família com várias décadas de ligação a esta cidade.”
“Austero e culto”
Com efeito, a família Jorge está em Macau há muito tempo. “A família chegou a Macau, seguramente, no século XVII, mas há alguns documentos ainda anteriores a isso”, diz Pedro Barreiros. “O nosso avô [Pedro Barreiros e Graça Pacheco Jorge são primos] foi uma pessoa muito importante na vida de Macau, na transição do século XIX para o século XX.”
José Vicente Jorge era na altura intérprete e tradutor e ainda professor de chinês. “Um homem austero e culto” nas palavras do investigador, que revela ainda que o seu avô reuniu na altura a melhor colecção de arte chinesa que havia em Macau. “A sua casa era visitada por imensa gente e considerada como se fosse um museu de Macau.”
E é precisamente a cultura que o vai aproximar de Danilo Barreiros. O pai de Pedro Barreiros acabará por conhecer José Vicente Jorge através da porcelana chinesa que o fascinou numa visita a casa deste. “Foi o primeiro português a escrever um livro sobre as marcas da porcelana chinesa”, revela Pedro Barreiros. Os dois homens acabarão por ultrapassar alguma animosidade inicial através da paixão que ambos nutriam pela cultura.
Dois guias de excepção
A vida destas duas personalidades marcantes da história de Macau é o ponto de partida do documentário sobre a história e as tradições da região, tendo como fio condutor o casal Pedro Barreiros e Graça Pacheco. “Tenho esta vantagem enorme de ter estes dois guias de Macau”, diz Francisco Manso.
Para o também realizador de “O Cônsul de Bordéus”, sobre Aristides de Sousa Mendes, e do filme “Assalto ao Santa Maria”, a ideia é “mostrar o Macau desconhecido, que vai além do que é turístico”.
“A Graça é especialista em cozinha de Macau. O Pedro é um homem da cultura e que faz parte da Associação Wenceslau de Moraes. São pessoas que podem falar de Macau de uma forma que outras não podem tão facilmente.”
Pedro Barreiros garante que Macau não é só casinos. “Aqui há uma cultura, tem é de se ir à procura dela. O objectivo é mostrar quem é que compõe esta multidão que invade as ruas, e separar os diferentes grupos, lembrando esse grupo antigo dos macaenses, que falam cantonense e patuá, são católicos e comem minchi.”
“Macau, uma Paixão Oriental” terá duração de 52 minutos e, segundo Francisco Manso, deverá estar pronto a entregar à RTP2 no final de Julho.
O documentário conta com o apoio do Turismo de Macau, do Instituto Cultural de Macau e do Instituto Camões – que recentemente se fundiu com o Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento (IPAD) e adoptou a designação Camões – Instituto da Cooperação e da Língua.
